Morre Nelson Mandela, ícone da luta pela igualdade racial
O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela morreu aos 95 anos
em Pretória, anunciou nesta quinta-feira (5).
“Ele descansou, ele agora está em
paz. Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu seu pai.” Disse o atual presidente, Jacob Zuma. O
funeral de Mandela deve durar dez ou 12 dias. O corpo será enterrado, de acordo
com seus desejos, na aldeia de Qunu, onde ele cresceu. Os restos mortais de
três de seus filhos foram sepultados no mesmo lugar em julho, após ordem
judicial.
Conhecido como “Madiba” na África do Sul, ele foi
considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade de direitos
no país, e foi um dos grandes responsáveis pelo fim do regime racista do
apartheid, vigente entre 1948 a 1993.
Foram quatro internações
desde dezembro. Em abril, as últimas imagens divulgadas do ex-presidente
mostraram bastante fragilidade – ele foi visto sentado em uma cadeira, com um
cobertor sobre as pernas. Seu rosto não expressava muita emoção. Em março de
2012, o ex-presidente sul-africano havia sido hospitalizado por 24 horas, e o
governo informou, na ocasião, que Mandela tinha sido internado para uma bateria
de exames rotineira.
Em dezembro, porém, ele
permaneceu 18 dias hospitalizados, em conseqüência de sua infecção pulmonar. No fim de março de 2013, ele passou 10 dias internado,
também pela infecção pulmonar, provavelmente vinculada às seqüelas de uma
tuberculose que contraiu durante sua detenção na prisão de Robben Island (ilha
de Robben), onde ficou 18 anos preso, de 1964 a 1982.
Ficou preso durante 27 anos e
ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Foi eleito em 1994 o primeiro presidente
negro da África do Sul, nas primeiras eleições multirraciais sul-africanas.
Mandela é alvo de um grande culto no país, onde sua imagem e citações são
onipresentes. Várias avenidas têm seu nome, suas antigas moradias viraram museu
e seu rosto aparece em todos os tipos de recordações para turistas.
Em 1952, já presidente da Liga Jovem do Congresso
Nacional Africano, foi escolhido líder da campanha de oposição contra seis leis
consideradas injustas. Acusado sob a Lei de Supressão do Comunismo, foi preso e
condenado a trabalhos forçados. Ele negou ser comunista. Livros recentes do
historiador britânico Stephen Ellis mostram documentos que indicam que Mandela
fez parte do partido comunista.
Havia algum tempo sua saúde
frágil o impedia de fazer aparições públicas na África do Sul - a última foi
durante a Copa do Mundo de 2010, realizada no país. Mas ele continuou a receber
visitantes de grande visibilidade, incluindo o ex-presidente dos Estados Unidos
Bill Clinton.
Mandela passou por uma
cirurgia de próstata em 1985, quando ainda estava preso, e foi diagnosticado
com tuberculose em 1988. Em 2001, foi diagnosticado com câncer de próstata e
hospitalizado por problemas respiratórios, sendo liberado dois dias depois.

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